Dra. Lia Alves Schinetski, PHD

Você quer emagrecer? Então trate de dormir bem!

 

 

Muita gente se pergunta: “Porque eu não consigo emagrecer?” ou “Porque não consigo resistir aos doces e carboidratos?”.

 

 

A resposta pode estar na falta de sono de qualidade.

 

 
Diversos estudos comprovam que a baixa qualidade de sono faz com que a pessoa sinta mais fome durante o dia, incentivando o armazenamento de gordura. Isso acontece devido ao desequilíbrio entre dois hormônios responsáveis pelas sensações de fome e saciedade: leptina e grelina.

 

 

Quando você não dorme o suficiente, os níveis de leptina caem, o que significa que você não se sente tão saciado quando come. A falta de bom sono também causa aumento da ação da grelina, o que significa que seu apetite é estimulado.

 

 

Além disso, a privação de sono faz com que resistir a alimentos que não são saudáveis se torne uma missão quase impossível.

 

 

A mais recente investigação nessa linha vem da Universidade Berkeley, nos Estados Unidos. Nessa pesquisa, 23 pessoas foram submetidos a exames de ressonância magnética em duas circunstâncias: após uma noite sem dormir e depois de terem dormido bem . A ativação de certas áreas do cérebro dos participantes era checada enquanto eles declaravam o quanto desejavam 80 comidas diferentes – algumas saudáveis, outras nem tanto.

 

 

“Percebemos que, em um contexto de privação de sono, os voluntários relataram preferência por itens calóricos”, revela Stephanie Greer, autora do artigo. Segundo ela, permanecer pouco tempo na cama deixa a amígdala, estrutura da massa cinzenta do cérebro vinculada ao controle das emoções, mais ativa, tornando as guloseimas exageradamente atrativas.

 

 

Outra pesquisa interessante que relaciona sono e emagrecimento foi feita na Universidade de Chicago. Os indivíduos foram colocados em um esquema de alimentação para perda de peso, no qual a quantidade calórica ingerida foi de 90% do total necessário para manter o peso. O grupo de pessoas foi avaliado duas vezes durante dois períodos de 14 dias. No primeiro, eles dormiram 8,5 horas por dia e no segundo, passaram a dormir apenas 5,5 horas por dia.

 

 

Em ambos os períodos a perda total de peso foi igual, entretanto, com relação ao tipo de massa perdida, houve grande diferença. Quando dormiram 8,5 horas por dia, 50% do peso perdido foi de gordura corporal queimada e 50% foi de massa magra. Por outro lado, quando as pessoas estavam em privação de sono, dormindo apenas 5,5 horas por dia, menos de 33% do peso perdido foi oriundo de gordura queimada, enquanto o resto do peso perdido foi de massa magra.

 

 

 

Em um estudo recente da Universidade da Pensilvânia, o autor ressalta que em apenas 5 noites consecutivas de privação de sono (com 4h de sono por noite) os indivíduos já apresentaram ganho de peso. Foi concluído que adultos que têm restrição de sono crônica, ou seja, que sempre vão dormir tarde da noite e acordam cedo, estão mais susceptíveis ao ganho de peso.
 

 
Você pode estar pensando: “Mas eu durmo 8 horas por noite, então não deve ser esse o meu problema para emagrecer”. Entretanto, mesmo que você durma uma quantidade de horas adequada, se o sono não for de qualidade, você entra no mesmo contexto de pessoas em privação de sono.

 

 

Isso pode acontecer devido a episódios de apneia durante o sono, por exemplo, que impedem que a pessoa tenha um sono de boa qualidade e, como consequência, a pessoa pode sentir mais cansaço e sonolência durante o dia, além da dificuldade de emagrecer.

 

 

Se você acha que o seu sono não está bom, procure um médico do sono ou um otorrino e faça um exame chamado polissonografia (que monitora o sono em laboratório).

 

 

Caso você tenha apneia leve ou moderada, um aparelho intra-oral de avanço da mandíbula pode ser a solução para melhorar o seu sono – e também para perder aqueles quilos tão desejados!

 

 

Para saber mais sobre apneia e aparelho intra-oral, leia os outros posts do Assunto “Sono”.

 

 

E se você conhece alguém que anda lutando para emagrecer, sem obter resultados muito positivos, compartilhe esse texto!

 

 
Referências:
Greer et al. Nat Commun. 2013;4:2259.
Spaeth et al. Am J Clin Nutr. 2014;100(2):559-566.
Spaeth et al. Sleep. 2013;36(7):981-990.

 

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