Dra. Lia Alves Schinetski, PHD

É normal criança ranger os dentes?

 

 

Existem muitas crianças que rangem os dentes durante a noite. Comumente, diz-se que se o bruxismo (ranger ou apertar os dentes) não está causando desgaste excessivo nos dentes nem dores nos músculos da face ou dor de cabeça, não há o que se preocupar, porque em geral isto deve passar com o tempo, sem a necessidade de nenhum tratamento.

 

Entretanto, um estudo publicado em 2013, na revista Sleep Medicine, concluiu que existe uma relação relevante entre bruxismo e comportamentos de internalização nas crianças de 2 a 8 anos (por exemplo: ansiedade, depressão, introversão e queixas de saúde que não têm causa orgânica identificada).

 

O que torna os resultados deste estudo ainda mais importantes é o fato de que quanto maior era a frequência do bruxismo, maiores eram os problemas de saúde da criança. E quanto maiores os problemas de saúde, menor era a performance neurocognitiva. Ou seja, essas crianças tinham algum déficit de aprendizagem.

 

Portanto, o bruxismo pode servir como um alerta aos pais para a existência ou possível ocorrência futura de problemas de saúde ou de comportamento.

 

Essa pesquisa nos deixa um alerta: talvez seja adequado investigar melhor o quadro clínico destas crianças para avaliar se há a necessidade de uma intervenção preventiva.

 

Sendo sincera, quando eu li o resumo deste artigo, achei um pouco exagerados os resultados, porque estamos habituados a ver muitas crianças que rangem e que não têm nenhum dos problemas citados. Mas lendo o artigo completo e vendo a metodologia tão precisa de como esta pesquisa foi realizada, além da citação de outros estudos que tiveram resultados semelhantes, fui convencida de que realmente devemos levar mais a sério o bruxismo infantil. Não é porque algo é comum, que necessariamente ele é normal, não é verdade?

 

 

Portanto, se você tem na família alguma criança que range os dentes com frequência, procure um profissional que possa fazer uma avaliação inicial e, se for necessário o tratamento, é fundamental que ele seja interdisciplinar, com a abordagem médica, odontológica e psicológica em conjunto.

 

 

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